Porto
A cidade do Porto, que desde o início da nacionalidade possuía várias judiarias, viu D. João I, em 1386, mandar concentrar os judeus no bairro do Olival, dentro das muralhas medievais. A nova judiaria confinava com duas das portas dessa muralha, locais ainda hoje referenciáveis: a do Olival e a das Escadas da Esnoga.
A Sinagoga situava-se no local do actual convento de S. Bento da Vitória.
Durante a época medieval, o Porto era sede de uma das sete ouvidorias (administração autónoma de justiça) judaicas do país; a de Entre Douro e Minho.
Já no tempo dos cristãos-novos, estes, principalmente ligados à burguesia mercantil e ao negócio marítimo, são obrigados a fixar-se na R.de S. Miguel, principal eixo do bairro. Há poucos anos, foi aqui descoberta a Sinagoga secreta (nº 9-11) cujo Hejal está agora preservado e visitável.
O intelectual e escritor portuense Immanuel Aboab ( ) referiu-se, depois de emigrado, à lembrança de, em criança, ir com os pais orar a esta Sinagoga. Era bisneto do " último gaon ( autoridade rabínica ) de Castela", Isaac Aboab que, quando da expulsão dos judeus de Espanha, em 1492, negociou com D. João II a vinda para Portugal e para este quarteirão do Porto de 30 notáveis famílias castelhanas acolhidas em condições muito favoráveis pela Câmara Municipal da cidade. Estas casas patenteavam um P e a comunidade ficou responsável pelo calcetamento da R. de S. Miguel onde se haviam instalado.
Também ilustres portuenses saídos para a diáspora foram personalidades como o filósofo Uriel da Costa(), o fundador e primeiro presidente da Comunidade Sefardita de Amsterdam, Jacob Tirado(), o médico e parnassim da comunidade de Hamburgo Samuel da Silva ( ), autor do Tratado da Imortalidade da Alma, o rabino, médico e poeta Abraham Pharar ( ?- 1663) e Bento Teixeira, poeta luso-brasileiro (), um dos maiores eruditos portugueses da época, autor de Prosopopeia e falecido nas masmorras da inquisição com 40 anos.





